
Vi um pássaro negro olhando para os meus olhos, percebi tardiamente, ele fitou por um longo tempo eu presumo. Minha insensibilidade, com tudo que não fosse o céu, tornava tudo em branco. Naquele instante eu pude fingir que não haviam casas, ruas, nem mesmo meu apartamento, eu estava solta no ar e apenas a janela flutuando comigo. Minha cabeça estava afastada, meu olhar observava um quadro que as horas da tarde acabara de pincelar. Eu na ilusão dos pensamentos que nem sequer eram fixos, eram poucas ideias, mas deixei elas se afastarem para tão longe de mim. Evitei a janela que eu constantemente me debruçava, evitei as vozes, eu desisti do plug-in enquanto diferenciava o azul que estava do lado de fora com azul que o quarto tinha. Qual a verdadeira arte, aquela que se modifica constantemente, era o céu e não a pintura da parede?...
Mas quando vi o pássaro, qualquer questionamento colorido, banhou-se em tinta branca. E no branco de tudo, pude observar o negro concreto do pássaro black. Continuo divagando e os olhos do pássaro não se vai, sua presença não se vai. Decidiu que me olhará sempre, sempre que eu estiver absorta. Consigo ver seus traços perfeitamente naquela cor que o faz não ter detalhes, e como ele os tem, e são simples, todas as partes são medianas, geometricamente correto, nada tão avantajado, nada muito pequeno...
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