segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Divagate ( The black bird stares my eyes)


Vi um pássaro negro olhando para os meus olhos, percebi tardiamente, ele fitou por um longo tempo eu presumo. Minha insensibilidade, com tudo que não fosse o céu, tornava tudo em branco. Naquele instante eu pude fingir que não haviam casas, ruas, nem mesmo meu apartamento, eu estava solta no ar e apenas a janela flutuando comigo. Minha cabeça estava afastada, meu olhar observava um quadro que as horas da tarde acabara de pincelar. Eu na ilusão dos pensamentos que nem sequer eram fixos, eram poucas ideias, mas deixei elas se afastarem para tão longe de mim. Evitei a janela que eu constantemente me debruçava, evitei as vozes, eu desisti do plug-in enquanto diferenciava o azul que estava do lado de fora com azul que o quarto tinha. Qual a verdadeira arte, aquela que se modifica constantemente, era o céu e não a pintura da parede?...
Mas quando vi o pássaro, qualquer questionamento colorido, banhou-se em tinta branca. E no branco de tudo, pude observar o negro concreto do pássaro black. Continuo divagando e os olhos do pássaro não se vai, sua presença não se vai. Decidiu que me olhará sempre, sempre que eu estiver absorta. Consigo ver seus traços perfeitamente naquela cor que o faz não ter detalhes, e como ele os tem, e são simples, todas as partes são medianas, geometricamente correto, nada tão avantajado, nada muito pequeno...

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Gray Lie



O cinza parecia ser a essência daquela paisagem tão natural. A grama era um cinza mais escuro, as partes que o sol iluminava nas nuvens, mesmo que cinza, era ainda luz. Os troncos das árvores eram o negro mais compacto sem erros que havia naquela imagem tão triste.
Mas é desta tristeza que vim falar, de como é bela. Quando tudo se torna cinza pode-se então caminhar lento, pois não há o peso das cores. Porque se se entende a leveza das ruas cinzas da antiga Londres pode-se tocar a massa fina do tempo. Pode-se esperar as cores frias após a tempestade silenciosa e insensível do cinza.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Inativo

Quando não é mais uma denonimação esse corpo, esse eu, comporta então uma verdade, uma base, o puro. Quando eu me desencontrar de todos, até mesmo do aclamado amor, virá o dimensional, a vida que é ele. Quando não houver mais linhas sob a minha visão e nem lombadas, sem desvios, sem ruas. Sem exitir julgamento de almas, nem transportações. Quando a saliva não existir e o gosto de vida desaparecer, a boca secar e a cabeça esvair. A natureza morta de um corpo sem nervos, um despir-se de inverdades e custódias. Quando nem o amor puder revestir novamente uma substância irreal, sensual, perturbadora. Não poderá tocar a inativação de um corpo enegrecendo, ou desaparecendo, liberto.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Gerar


Eva gerou um sonho. Após a tormenta do céu tornou-se uma parte das águas. Eva é o oceano agora.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Outra vez você.



Grande escrita sobre nada, sobre a imensidão do nada. Repleta de fantasias insolúveis e incompletas. Escrita onde existem pontos que podem brilhar, que não brilham. Pontos que se perdem exatamente nos erros e fatais eu presumo. Não escrevo sobre você desta vez. Sempre escrevi para algo que intimamente ou inexistisse num corpo cheio de falhas e absolutismos.

Desta vez, não é para ninguém, me dedico a pensar nos passos que eu não transfomaria meus e seus e em um só.

Qualquer fantasia nos torna "verdadeiros", às vezes, não o suficiente para que mostremos o quão sagradas são essas fantasias para nossa existência fragilíssima.

Você limpa os olhos e diz que está tudo bem, mas nunca esteve. E eu finjo acreditar e me arrependo por isso quando te vejo triste de verdade. Não sei se é bem tristeza, se parece tanto quando está bem.
O que sei, a única certeza minha é que fomos longe demais, e ficamos parados contemplando nossas marcas esquisitas.
Desta vez realmente não era para ser sobre você.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Café simples ( alguém e Cara, diálogo sobre o frio)

Alguém: Até quando va...

Cara: Eu sei, eu sei o que quer perguntar... A resposta é simples, mas no meu modo mais poético e patético vou fazer com que pareça complicado...

...Até perdermos a vida
Numa manhã que duvidamos que a morte venha... Quando estivermos brincando de sermos eternos.
As madrugadas existem para nos dar um banho com água fria,
o frio mostra quem somos, o limite mostra quem somos.
Não temos o menor pudor para nos alimentarmos de mentira.
Não temos a eternidade, não temos sequer caráter.
Por enquanto o dia vai aparecer nova e repetidas vezes, com o seu sol que abriga qualquer coração.
Até que ele venha nublado..
para se saber que a morte também tem seu papel na história da vida.
Alguém: Podemos ir agora? Também não estou aguentado este frio.
Cara: ok! Vamos tomar um café simples.. ou um simples café

segunda-feira, 6 de julho de 2009

o final das coisas


Na madrugada acordo parcialmente, e no nublado dos pensamentos encontro a finalidade de tudo ter um fim. O fim é uma explosão, contudo o fim parece um nada cheio de nada. Sem começo, porém com um fim, porém um nada. Mas há tanto neste nada, pena que se descobre quando já terminou . Temos os motivos dos nossos fins. O final para tudo. O final é a verdade, sobretudo.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

O banho de luz


Quanto tempo ainda temos para nos lançarmos à lama, sem qualquer pudor ou peças de roupa. Na companhia da boa sorte para que saiamos o mais sujos possível e nessa sujeira encontrarmos uma limpeza interior. Que a lama nos banhe e nos ofereça um mel imundo para nos livrar da sujeira transparente que nos consome a cada momento de mentira.

E se pudéssemos após esse banho miserável, cair num mar branco, para retirar o marrom da nossa pele e nos deixar prontos para um terceiro banho, o banho de luz.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

O Cheiro de Minala


Minala espalmava sua mãozinha e ameaçava com o frio do seu corpo os quatro cantos do sanatório. Não nos envolvíamos, mesmo que fóssemos somente eu e ela num mundo que poderia nos afetar e nos magoar constantemente sem que pudéssemos num passo fugitivo sumir e acabar com toda aquela história sombreada de dor. Queríamos nos romper, e a vida nela era uma chama pequena. Em mim.. Talvez eu pudesse suportar mais alguns dias, mas nela a vida se desprenderia ali mesmo, naquelas manchas do quarto, naquele cheiro esquisito. Mal podíamos respirar e o semblante vazio e sem oxigénio daquela menina me causava medo e o cheiro vindo das suas entranhas me causavam um nojo delirante.
Os passos vindos da noite era de um homem que em momentos caluniosos poderia nos ajudar, eu só não sabia como agir. O efeito do remédio ministrado matinal e acidentalmente em mim me enfraquecia ao ponto de eu não poder acordar assiduamente. Mas havia ainda alguma chance.
A história de Minala eu não sabia ao certo, mas pelo pouco que ouvi em momentos misteriosos foi que Minala havia sido espancada quando menor e depois desse ocorrido não agia como costumeiramente as crianças agiam, tinha momentos de crise repentina com choros intermináveis e sem solução, isso foi tudo que ouvi, mas o bastante para me atormentar quando olhava para aquele rosto incomunicável, sem vestígios de vida. Mas por que foi dada como insana? O que existiu realmente no passado incorrigível de Minala?

domingo, 7 de junho de 2009

Sofra!


Os dias que acreditei serem reais, foram-se vultuosos, como se nada fossem. Um vento sem norte os levou. E o que me norteará? Se não forem agora essas manhãs de pouco sol.. E se chover?
Quem acreditará que passei por aqui?
Eu minto um pouco, o necessário para poder me machucar. Se eu continuo dizendo que farei falta é a minha maior ilusão. Somos uma estrela que explode para nascer e se vai simples, apaga-se totalmente e isso não muda as condições de luz do céu, nem sequer é perceptível. Como podemos chorar nas tardes de adeus.. Não é a nossa dor mais profunda, por mais que ocupe todo o espaço permitível de dor. Sofreis! E como podemos chorar, se todo nosso espaço de amor ainda existe..

sexta-feira, 1 de maio de 2009

constante

No quarto, as paredes, sem som, me ameaçam, protegem-me e ameaçam. No quarto agora presa, sem forças, rasgada pelo chão, sem respirar o ar comprimido que se me oferece viver um pouco mais.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

frios íntimos

Fechei os olhos no inverno, quando indignei-me com os prantos do sol e gritos candescentes. Ouvi histórias de que um alguém muito espirituoso voltaria, e não voltou. A espera noturna então fez-se convívio dia a dia, entrando pela porta frontal da minha forma inteiriça, quase me deixando ao chão, quase arrancando minha mão, quase me absorvendo, sugando feito refeição sanguinia, devorando, estuprando, no entanto, acariciando algo dentro, alisando carnes sensíveis e compulsivas do músculo-máquina em seu ritmo vermelho.
Foi profundo sentir cada noite e seus pormenores, uma profundeza possessiva, uma calmaria irritante e adormecente, vertiginosa, prazerosa. Na espera ainda norturna eu desço e prometo dormir, descansar o que há de puro ainda e afugentar a dores do sol que me enlaça nas manhãs atrapalhadas. Mas dormir é a minha espera, quase não posso tocar o sono, calado e friorento, debaixo de um lençol que eu sei que não esquenta, ainda necessito estar prostrado em meio ao meu calado constante.
A escada torna-se um espiral, e no perigo de que posso cair sei que é uma bonita mentira dizer que não consigo dormir, mas sei também que é uma mentira que não mente pra mim, acompanha a minha inocência, inere minhas paixões à uma verdade caprichosa. E nessa mentira toda posso viver por inventar uma mentira mais vibrante e harmoniosa, quase posso tocar você, mas a luz me atrapalha, então foges devagar e todo brilhante de amarelo claro tornando-se branco, e ausente.
Toco uma mão diferente, áspera, fala por si, aperta-me um pouco e sai feito vulto indolente, mas é ainda presente, e potente nas minhas memórias, que trapaceiam, esculpem novas versões do que poderia nunca ser real, fala-me ao ouvido, faz brotar um delírio e vou espantado retirando uma pétala e outra desacreditado e mecanicamente. Caem vazias as pétalas, sem som, sem cor, copiando as outras que já caíram, mostram-se finitas, entregam-se e morrem frias... no meu íntimo.

terça-feira, 28 de abril de 2009

Não Amor


Não posso entender
Uma vez mais, uma dor revestida de amor
Quase não a vejo
Não há qualquer transparência
Vai me tocar no escuro
me perturbará infinitamente.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Aparências sensíveis

O contorno da sombra, o corte regular, nossos dias infernais, nosso Adeus. Castos um no outro, e somente. Castos e lânguidos. Nossa desconfiguração, nosso arrumar e desfazer. Comparados, comprados, bebidos, sacaneados, estimulados, pugilados. Nossa puberdade na garganta, gritando erros, estávamos contraindo e dilatando em repetidos intervalos do nosso contrato de amor.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Insana


Os lábios trêmulos, a pele vazia.
Nossos cantos escondidos.
Nossas mãos equívocas.
E uma chuva cinza e fria.
Me torno assassina,
contorcida de pavor,
molhei as mãos,
purifiquei-me.
Ainda me escondo naquele canto,
e me faz lembrar, a tortura dos membros.
Do momento de perda,
e do seu corpo no lixo, ou talvez no mar
O espasmo assumindo formatos grandes na boca.
E voltei para o nosso lugar, mesmo sem você.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Era o Tempo, Um Bonito Vermelho



Um sopro frio que fez pulsar uma veia clara, insensível. Amanhecer polar, frio, um novo coração .Existiu por tantos invernos, incompleto, conciso, espalhado num traço, um arco, um sonho invisível. O que era fazer um coração novo? O que era ser um coração novo?
Os doces destroços escorrendo misturados a fogo, ainda assim uma nova hora. Um surpreendente branco audaz, impulsivo, escorregadio, tomando espaço num vermelho subjugado, tons de cerejas que não podem ser ingeridas e um sabor ainda forte, doce de mais. Não era pureza, não uma lavanda crescendo no peito desprotegido. Era o tempo, um bonito vermelho.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

My agony

Ele tinha que partir.Eu queria conseguir deixa-lo ir.
Sei que estou só, a um passo de mudar tudo.
Tentei muitas vezes, mas nenhuma foi real.
Não me quebre em pedaços.
Quero acreditar que dessa vez é de verdade.Mas não me salve do meu medo.
trechos de all I Need (within Temptation)