segunda-feira, 22 de junho de 2009

O Cheiro de Minala


Minala espalmava sua mãozinha e ameaçava com o frio do seu corpo os quatro cantos do sanatório. Não nos envolvíamos, mesmo que fóssemos somente eu e ela num mundo que poderia nos afetar e nos magoar constantemente sem que pudéssemos num passo fugitivo sumir e acabar com toda aquela história sombreada de dor. Queríamos nos romper, e a vida nela era uma chama pequena. Em mim.. Talvez eu pudesse suportar mais alguns dias, mas nela a vida se desprenderia ali mesmo, naquelas manchas do quarto, naquele cheiro esquisito. Mal podíamos respirar e o semblante vazio e sem oxigénio daquela menina me causava medo e o cheiro vindo das suas entranhas me causavam um nojo delirante.
Os passos vindos da noite era de um homem que em momentos caluniosos poderia nos ajudar, eu só não sabia como agir. O efeito do remédio ministrado matinal e acidentalmente em mim me enfraquecia ao ponto de eu não poder acordar assiduamente. Mas havia ainda alguma chance.
A história de Minala eu não sabia ao certo, mas pelo pouco que ouvi em momentos misteriosos foi que Minala havia sido espancada quando menor e depois desse ocorrido não agia como costumeiramente as crianças agiam, tinha momentos de crise repentina com choros intermináveis e sem solução, isso foi tudo que ouvi, mas o bastante para me atormentar quando olhava para aquele rosto incomunicável, sem vestígios de vida. Mas por que foi dada como insana? O que existiu realmente no passado incorrigível de Minala?

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