segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

O gosto estranho de quando se chora

A pior dor é a da separação de peles

Pele Carnívora

Eu o estou deixando. Não é preciso perceber, não perceba. Deixe o meu toque ir embora da sua pele suavemente. Vou deixa a flor que plantamos imóvel, para que um dia eu possa observá-la. Mas sei que um dia terei que abandoná-la. É apenas um capricho meu deixá-la presa por um tempo. Você me tocou muitas vezes. Não era necessário, saiba. Ficamos tão juntos que seu fluido me permeia a todo instante, e eu choro calada.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Divagate ( The black bird stares my eyes)


Vi um pássaro negro olhando para os meus olhos, percebi tardiamente, ele fitou por um longo tempo eu presumo. Minha insensibilidade, com tudo que não fosse o céu, tornava tudo em branco. Naquele instante eu pude fingir que não haviam casas, ruas, nem mesmo meu apartamento, eu estava solta no ar e apenas a janela flutuando comigo. Minha cabeça estava afastada, meu olhar observava um quadro que as horas da tarde acabara de pincelar. Eu na ilusão dos pensamentos que nem sequer eram fixos, eram poucas ideias, mas deixei elas se afastarem para tão longe de mim. Evitei a janela que eu constantemente me debruçava, evitei as vozes, eu desisti do plug-in enquanto diferenciava o azul que estava do lado de fora com azul que o quarto tinha. Qual a verdadeira arte, aquela que se modifica constantemente, era o céu e não a pintura da parede?...
Mas quando vi o pássaro, qualquer questionamento colorido, banhou-se em tinta branca. E no branco de tudo, pude observar o negro concreto do pássaro black. Continuo divagando e os olhos do pássaro não se vai, sua presença não se vai. Decidiu que me olhará sempre, sempre que eu estiver absorta. Consigo ver seus traços perfeitamente naquela cor que o faz não ter detalhes, e como ele os tem, e são simples, todas as partes são medianas, geometricamente correto, nada tão avantajado, nada muito pequeno...

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Gray Lie



O cinza parecia ser a essência daquela paisagem tão natural. A grama era um cinza mais escuro, as partes que o sol iluminava nas nuvens, mesmo que cinza, era ainda luz. Os troncos das árvores eram o negro mais compacto sem erros que havia naquela imagem tão triste.
Mas é desta tristeza que vim falar, de como é bela. Quando tudo se torna cinza pode-se então caminhar lento, pois não há o peso das cores. Porque se se entende a leveza das ruas cinzas da antiga Londres pode-se tocar a massa fina do tempo. Pode-se esperar as cores frias após a tempestade silenciosa e insensível do cinza.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Inativo

Quando não é mais uma denonimação esse corpo, esse eu, comporta então uma verdade, uma base, o puro. Quando eu me desencontrar de todos, até mesmo do aclamado amor, virá o dimensional, a vida que é ele. Quando não houver mais linhas sob a minha visão e nem lombadas, sem desvios, sem ruas. Sem exitir julgamento de almas, nem transportações. Quando a saliva não existir e o gosto de vida desaparecer, a boca secar e a cabeça esvair. A natureza morta de um corpo sem nervos, um despir-se de inverdades e custódias. Quando nem o amor puder revestir novamente uma substância irreal, sensual, perturbadora. Não poderá tocar a inativação de um corpo enegrecendo, ou desaparecendo, liberto.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Gerar


Eva gerou um sonho. Após a tormenta do céu tornou-se uma parte das águas. Eva é o oceano agora.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Outra vez você.



Grande escrita sobre nada, sobre a imensidão do nada. Repleta de fantasias insolúveis e incompletas. Escrita onde existem pontos que podem brilhar, que não brilham. Pontos que se perdem exatamente nos erros e fatais eu presumo. Não escrevo sobre você desta vez. Sempre escrevi para algo que intimamente ou inexistisse num corpo cheio de falhas e absolutismos.

Desta vez, não é para ninguém, me dedico a pensar nos passos que eu não transfomaria meus e seus e em um só.

Qualquer fantasia nos torna "verdadeiros", às vezes, não o suficiente para que mostremos o quão sagradas são essas fantasias para nossa existência fragilíssima.

Você limpa os olhos e diz que está tudo bem, mas nunca esteve. E eu finjo acreditar e me arrependo por isso quando te vejo triste de verdade. Não sei se é bem tristeza, se parece tanto quando está bem.
O que sei, a única certeza minha é que fomos longe demais, e ficamos parados contemplando nossas marcas esquisitas.
Desta vez realmente não era para ser sobre você.