terça-feira, 30 de dezembro de 2008

i'm an angel

pureza e fome


Perdemos tempo o bastante pra saber que poderíamos ter feito mais, gritado mais, amado mais. A verdade é que as vezes essas de amor enche, dá vontade de pular, respirar, fingir, porque parece que o amor de um homem com uma mulher é prisão de tudo isso. E vou mesmo me libertar dessa prisão. Vamos andar de bicicleta juntos para saber se te quero do meu lado, vamos comer juntos para saber se eu vou comer normalmente. Não suporto a mim mesmo, as piadas perdem graça, enjoo fácil de algumas coisas. Não tenho saco pra te olhar todo dia.
E vou mesmo é gritar, quando não tiver ninguém pra me ouvir, e vou chorar sozinha, porque como solidão à noite. Eu sei que vou te chamar quando estiver ociosa, só para nada mesmo.
Começo a acreditar que o Carpe Diem faz sentido, porque se vivesse sabendo que hoje é tão especial, seria. O caos urbano me alegra e incita a fazer barbares, me incita e me excita, a sorrir sádico, sabendo que vou dar um jeito nas coisas, nessa selvagem toda, cheia de milagres, tardes, e engarrafamentos.
Sua santidade me causa náuseas, mentiras de verdade é o que eu quero. Vou trocar de roupa e de estilo, passar um outro batom, usar meias até as coxas e sair por aí riscando o chão de giz com os saltos dos meus sapatos.
Vou colocar botões de flores no meu cinto, me curvar diante as árvores, pintar um
pôr-do-sol, cantar baixinho no seu ouvido, acordar cantando, chorar dançando, fechar os olhos sorrindo, pular em câmera lenta, e amar lenta e loucamente em Brasília e fazer as fotos que eu bem quiser.
Vou ser grossa e estúpida, e morder a sua boca, arrancar as tuas roupas e me armar de contágios, vou dizer e você vai acreditar, eu não vou te amar. Eu vou te contar mentiras, sentada no sofá, com sua camiseta velha e uma calcinha de bolinhas e ainda vou te deixar por lá mesmo, só para dormir sozinha, imaginando que talvez você apareça na madrugada.



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