terça-feira, 11 de novembro de 2008

Tiros de solidão (monólogo de um soldado)



Acordei a noite, não quis massacrar ninguém a não ser a mim mesmo. A quantidade de vermelhos e pedaços no chão, são réplicas de passado. Mãos onduladas e amarelas com esse tipo de pintura escura nas unhas, todos os lugares afasto o sofá e aparece. O relógio esquece de gritar nas horas que passam e que eu mais preciso, não temos relógio, somos soldados. Silencioso esses ossos no corpo.
Como posso contar o tipo de história que eu não posso e se posso agora, me faça querer então. Lascerarei a ti para engolir mais uma vez os tiros de solidão se eu não te quiser mais. São espécies de anjos que me tiram o tempo e estão querendo tudo de mim. E se fosse agora e se fosse correto, não daríamos pães a quem não tem fome. Ora! O milagre de abrir os gira-sois acontece, mas de hoje é sem sois.
Vamos colar os papéis que ficaram um pouco soltos e depois correr pela serra vendo o sol candente queimar o que há de verde.
Estou tão emassado nas coisas que se me tira o fuzíl me tiram o juízo, estou emassado nas coisas, e viro mesmo é concreto e aqui na fundura sou um armamento contra a vida as vezes, que se retem porque nosso esconderijo é pequeno, andaremos todos juntos quando anoitecer e dormiremos na madrugada e marcharemos de volta para casa e morreremos na chegada do crepúsculo porque é hora de descansar e também parar nossos corações, que ficaram perdidos na batalha, e que sangraram de dor e que já não existem, é hora de voltar. E já não temos amor, só estilhaços no peito, minha arma é meu escudo e meu coração ainda bate para guerrilhar, somos fuzileiros. Reunimos os dias e passamos tardes na penumbra do sol, são tiros de solidão. O pico de maior dia será o dia em que apague as luzes e durma mais. Me concentrando para chorar o mais tempo de corpo. Agora minha muralha está em rosas e as correntes de ar nelas fazem as pétalas se abrirem enormemente e algumas são lançadas ao alto para me encontrarem no céu

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